15°C 29°C
Poções, BA
Publicidade

UBRA o taxi da periferia - UNIÃO DA BRASILÂNDIA

14/03/2017 às 13h57
Por: INÁCIO TEIXEIRA Fonte: BBC Brasil
Compartilhe:
Moradora da Brasilandia usa UBRA como transporte. Foto arquivo pessoal do motorista
Moradora da Brasilandia usa UBRA como transporte. Foto arquivo pessoal do motorista

A Ubra foi criada há 20 dias. Hoje, já são seis motoristas e a intenção é ampliar a frota nas próximas semanas. "A demanda está muito grande e a gente já está perdendo corrida. A área tem uma carência grave de transporte, principalmente à noite", afirma Emerson enquanto atende outro cliente pelo celular.

 prefeitura informou que soube recentemente sobre o serviço prestado pela Ubra. A Secretaria Municipal de Transportes informou em nota que "tem interesse em aumentar o número de empresas que operam na cidade, sobretudo em locais onde o sistema viário ainda é pouco aproveitado pelo transporte individual de passageiros".

Por outro lado, a administração municipal afirmou que a empresa ainda não foi credenciada no Conselho Municipal de Uso do Viário (CMUV) e não pode transportar passageiros. A pasta alertou que, desta forma, a "empresa e os motoristas estarão sujeitos à fiscalização e às sanções cabíveis, que incluem apreensão dos veículos e multa."

Demanda noturna e função social

Os criadores da Ubra afirmam que já têm 40 clientes fiéis, que são levados com frequência para fazer compras e até mesmo para consultas médicas. Mas é durante a madrugada que os moradores entrevistados pela BBC Brasil dizem que a Ubra faz a diferença.

A operadora de caixa Aline Alves de Souza, de 27 anos, é uma das mulheres que moram na Brasilândia e, graças à Ubra, não tem mais medo de voltar de festas na madrugada.

"Quando vou para a balada, fecho com a Ubra a ida e a volta por R$ 40. Esses dias, minha filha também passou mal de madrugada e eles me levaram e buscaram muito rápido", afirmou.  

Os criadores da empresa dizem que cobram preço semelhante ao de seu concorrente. Cada quilômetro rodado custa R$ 2 contra cerca de R$ 1,80 da Uber - que ainda cobra uma taxa municipal. Eles aceitam dinheiro e cartões de débito e crédito.

Enquanto a Uber tem um sistema automatizado, o preço das corridas da Ubra é calculado apenas pela distância medida no site do Google Maps. Mas nem sempre os motoristas cobram o preço cheio.

"Nós temos um papel a cumprir na quebrada. É um trabalho social, não é só cobrar o (preço) que deu. Eu levo mulher em presídio, transporto deficiente físico e idoso para fazer consulta. Muitas vezes, cobro menos. Algumas, eu ainda espero para levar o cliente de volta sem cobrar o tempo parado", conta Alvimar da Silva, co-fundador da Ubra, que também atua como motorista.

Sede da Ubra, na BrasilândiaEscola Uber

Hoje empresário e concorrente, Alvimar define como uma escola o período de oito meses em que trabalhou no Uber.

"Oferecemos um serviço de qualidade para fidelizar os passageiros. Só permitimos carros em ótimas condições e com ar condicionado. Além disso, os motoristas são todos de confiança. Só nossos amigos do bairro", relata.

A própria Uber vê com bons olhos a chegada da pequena concorrente. "Novos serviços são ótimos para consumidores e para as cidades. Competição encoraja uma melhora constante de qualidade", disse a empresa em comunicado à BBC Brasil.

A dupla que administra o novo negócio não tem uma assessoria de comunicação, mas seu discurso é bem parecido ao usado pelos porta-vozes da gigante californiana quando chegou ao Brasil.

"Queremos legalizar o nosso serviço para trabalhar conforme a lei, pagar todos os impostos. Eu já tenho um advogado vendo toda essa papelada. A Brasilândia tem 400 mil habitantes e eu tenho certeza que eles (prefeitura) não vão permitir que um trabalho social tão importante como esse seja encerrado", diz Emerson Lima.

Guia para motoristas

A dupla de empresários diz que não tem medo de que surjam concorrentes na região. E até fala que empresários de fora não se dariam bem caso tentassem fazer o trabalho no bairro sem a ajuda dos moradores.

"Não é qualquer um que sabe andar no morro. Nossos motoristas usam carro prata para não chamar a atenção e andam com o vidro abaixado. Em alguns pontos, eles são orientados a tirar o cinto de segurança, colocar o cotovelo para fora da janela e fazer cara de mau. Tudo o que a gente aprendeu na quebrada", relata Emerson.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias