
Por Oswaldo Faustino
Oswaldo Faustino é jornalista, escritor, sai em bateria de escola de samba e gosta de contar as histórias de seu povo.
Quem não se vê não se reconhece. Quem não se reconhece não se identifica. Quem não se identifica não se ama, tem baixa autoestima e não valoriza a si próprio, nem ao outro... Assim, não dá pra ser feliz!
Não é fácil ser jovem, especialmente adolescente, nos dias atuais. Não é mesmo? Você olha para o espelho da sociedade, onde vive, e não se vê refletido, refletida. Nada tem a ver contigo. A gente acaba se sentindo um ET, de um planeta distante, pois não se parece com nada nem com ninguém. Afinal, estamos cercadas, cercados, por pessoas que só sabem odiar. Humilham e maltratam as mulheres, ou só as veem como meros objetos sexuais, pessoas que agridem quem é homossexual. Enfim, desconhecem palavras como tolerância e respeito.
E se formos negros e negras, então, todos e todas as demais não vêm problema nenhum em nos jogar na cara que somos inferiores. Dizem que somos feios ou feias, menos inteligentes, que nosso cabelo é ruim, que não temos capacidade para ser alguém na vida, que para nós só cabem os serviços e atividades que não têm muita importância e que não exijam talento, disciplina e responsabilidade. Alegam que tudo isso acontece porque descendemos de escravos. Não é mesmo?
Ah até que maldiga a princesa por ter assinado a Lei Aurea... como se essa tal Lei tivesse libertado de verdade nosso povo... como se o 13 de maio não fosse sucedido por um 14 de maio que jamais terminou... estamos à espera dessa abolição definitiva até hoje e cada dia a vemos mais distante de nós.
Descendemos de escravos? É aí que eles se enganam. Podem sim gostar ou não de nós. Nós também podemos não gostar deles e delas. Mas, gostando ou não, têm e temos a obrigação de nos respeitar uns aos outros, de reconhecer que nada nos faz inferiores ou superiores a ninguém. E que a principal diferença entre nós e eles ou elas é a falta de oportunidade para mostrarmos que também temos talento e capacidade de sermos o que quisermos ser na vida.
Nossos antepassados foram escravizados sim, mas não por não serem capazes de estar no lugar dos que os escravizaram. Na verdade, foi criado um sistema de sociedade com o único objetivo de escraviza-los, explora-los, usar seus conhecimento e força braçal para enriquecerem às nossas custas. Você acredita? Inventaram que na África e em qualquer lugar que não fosse a Europa, não havia civilização, nem cultura, todos viviam como animais na floresta, não produziam nada, nem tinham criatividade para desenvolver-se.
Mentiram. Fosse no Continente Africano e em qualquer parte do mundo, sempre houve grandes civilizações, organização social e muitas riquezas. Os seres humanos, que lá viviam, buscaram, descobriram ou desenvolveram soluções práticas para viver em sociedade e também eram intelectuais e inventivos, pesquisadores e produtores.
Só para dar um exemplo: você sabia que muitos daqueles humanos que foram escravizados e trazidos para o Brasil, tinham conhecimentos de metalurgia – fazer objetos de metais –, de astronomia, de física, de medicina e muitos mais? Os antigos egípcios eram negros e, em passado remoto, já faziam cirurgia para extrair tumores do cérebro. É deles que nós descendemos.
Olhe agora no espelho. Veja que linda a imagem que ele revela. E diga a você mesmo, a você mesma: “Aí está uma pessoa que vai vencer na vida, a sociedade queira ou não queira!”... Só assim a gente conseguirá ser feliz. Por Oswaldo Faustino
Galeria de fotoshttp://www.tvpovo.com.br/site/galeria/48/o-jovem-negro-e-a-sociedade.html
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