
Salvino Rodrigues dos Santos, 77 anos, cego do olho esquerdo, me conta como leva a vida nos dias de hoje. Trabalha vendendo frutas e alguns derivados de leite em uma pequena singela barraca feita de tabuas e pedaços de madeira, coberta com restos de telhas de amianto, às margens da BR 116 em Teófilo Otoni no estado de Minas Gerais. A visão ele perdeu ainda criança, quando brincava de fogaréu, com seus primos e em determinado momento um deles acertou seu olho com um tição. Com a venda de Jaca, Banana, manga, geléia de mocotó, requeijão, água, mel, coco e queijo, fatura cerca de 500 reais por mês, dinheiro que usa para pagar seus remédios.
"Aqui só não posso vender bebidas” disse Salvino, que nasceu em agosto de 1941 e há mais de uma década ocupa um terreno da união, uma área de 12 metros quadrados margeando a Rio Bahia, numa encosta do morro na saída sentido o Rio de Janeiro. Local que ele sonha em poder fazer uma barraquinha de alvenaria, mesmo sendo informado pelas autoridades que é proibido.
Salvino se diz querido pelos comerciantes e moradores do seu entorno, ates da reforma da Pousada Bem Estar, de propriedade de Risadinha, era ali que guardava seu carrinho de mão carregado com sua mercadoria, hoje conta ele que guarda na casa de Dona Sueli, Dona Sueli, 72 é uma enfermeira aposentada que trabalhou por anos no Hospital São Lucas e acompanhou de varias parturientes da Cidade e hoje alem de permitir que Salvino guarde se carrinho, ainda o ajuda dando água e comida. “É uma pessoa muito boa, é para mim como se fosse a minha mãe” me disse em voz baixinha, como se fosse um grande segredo. Disse também que durante esse tempo acompanhou varias passagens e mudanças da comunidade e que presenciou dezenas de acidentes de transito próximo à sua barraca.
Mín. 15° Máx. 27°