
Com os objetivos da Europa em matéria de alterações climáticas, prevê-se que 35 milhões de edifícios sejam renovados até 2030 (segundo a Comissão Europeia), correndo-se o risco de expor muitos trabalhadores ao amianto. Como pode ser intensificada a luta contra este material tóxico, que ainda está presente em muitos edifícios. Para reforçar a segurança dos trabalhadores, a Comissão Europeia propõe a redução do limite de exposição profissional às fibras de amianto em 10 vezes o valor atual. Este limite já está em vigor em França. A nossa reportagem foi a Toulouse encontrar-se com profissionais deste setor
No norte da cidade, num local de remoção de amianto, Emmanuel Pezet, responsável pela descontaminação, explica-nos as muitas medidas de segurança postas em prática: "Para os trabalhadores, existem equipamentos de proteção individual e dispositivos de proteção respiratória. Isto depende do nível de poeira e da análise de risco do estaleiro de construção. Depois, há uma unidade móvel de descontaminação, vedações, um expositor, alguma sinalização e uma área de resíduos".
França dispõe de um quadro regulamentar muito rigoroso sobre os meios a implementar para a proteção dos trabalhadores e do ambiente nestes locais. As medições de poeiras são sistematicamente efetuadas.
As fibras de amianto inaladas podem causar doenças graves, tais como cancro do pulmão, que ocorrem em média 30 anos após a exposição. Apesar das incertezas, Florian, operador de remoção de amianto, sente-se protegido. Não tenho receio pelo meu trabalho porque estamos muito, muito bem supervisionados. Somos os primeiros a saber onde haverá amianto, em comparação com outros ofícios numa obra tradicional.
Na Europa, 4 a 7 milhões de trabalhadores podem estar atualmente expostos ao amianto. 97% deles trabalham na construção e 2% na gestão de resíduos.
Mais a sul, numa empresa profissional de gestão de risco, encontramos Olivier Heaulme, o diretor, no centro de formação sobre o amianto. Aqui, ensinam a manusear os muitos equipamentos de proteção e descontaminação. A empresa também analisa amostras recolhidas em locais de construção para verificar o número de fibras de amianto no ar.
"Requer muitas técnicas para pôr em prática, equipamento muito específico e de alto desempenho. Temos dez anos de experiência em França, com este valor que será adotado no seio da União Europeia. Demorou muito tempo a chegar a essa taxa. Para baixar, será preciso mais tempo, novas tecnologias e mais formação", explica.
Em França, o amianto é responsável por três a quatro mil doenças relacionadas com o trabalho por ano. A formação é obrigatória para todos os ofícios da construção, mas alguns profissionais desconhecem-na. Diz Olivier Heaulme: "A formação é fundamental. Sem formação, não nos podemos proteger do amianto. Ela torna os trabalhadores conscientes dos riscos. Há técnicas, automatismos para nos protegermos, e estes automatismos passam por uma formação recorrente". Katia, supervisora técnica do amianto há um ano, está a atualizar a formação. Repete os gestos que lhe permitirão gerir os riscos nos estaleiros de construção: "Temos uma responsabilidade real de colocar as pessoas em segurança e é importante poder utilizar todos os meios que possam existir, e há muitos, mas é preciso que sejam respeitados no local", diz.
A atualização da Diretiva sobre o Amianto no Trabalho, proposta pela Comissão Europeia para melhor proteger os trabalhadores, é acompanhada por vários fundos europeus que já existem.
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