
O presidente do conselho do Instituto Vladimir Herzog, Ivo Herzog, filho do jornalista assassinado na ditadura militar, enviou carta nesta sexta-feira (11) ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, na qual pede que o governo federal solicite aos EUA a “liberação completa” dos registros da CIA (agência de inteligência norte-americana) sobre operações de tortura e morte de brasileiros.
Vladimir Herzog ou Vlado Herzog, foi um jornalista, professor e dramaturgo brasileiro. Herzog nasceu na cidade de Osijek, na então Iugoslávia, em 1937, filho de um casal de origem judaica, foi preso e assinato nas dependencias do Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) durante o governo militar. O crime que ele cometeu? Não concordava com o sistema, e quem nao abria as pernas para o governo nos tempos da DITADURA, acabava sendo fichado como subversivo, e e subversivo era todo mundo que tinha pensamento próprio, que cobrava os seus direitos como cidadão, simplesmente por isso se tornava inimigo do poder, e acabava sendo torturado, morto e enterrado em valas comuns como a que foi encontarda no Cemitério Dom Bosco em Perus, na Zona Norte de São Paulo. E vejo nos dias de hoje jovens e pedindo avolta do governo militar e dando apoio a um "candidato" que profetiza a bala como argumento e solução.
A carta com data desta sexta-feira (11) foi enviada ao ministro depois que veio a público um memorando da CIA, segundo o qual o general Ernesto Geisel, presidente do Brasil entre 1974 e 1979, sabia e autorizou execução de opositores durante a ditadura militar.
“A Família Herzog vem a vossa senhora solicitar manifestação ao Ministério de Estado das Relações Exteriores solicitando ao Governo Norte Americano a liberação completa dos registros realizados pela Agência Central de Inteligência (CIA) que documentam a participação de agentes do Estado Brasileiro em operações para torturarem ou assassinarem cidadãos brasileiros”, diz trecho da carta.
Vladimir Herzog foi torturado e morto em uma cela do DOI-Codi em São Paulo, em 25 de outubro de 1975. Na época, o regime militar argumentou que Herzog tinha se suicidado.
Procurado pelo G1, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que recebeu a carta e que "examina o encaminhamento da solicitação nela contida".
Na carta, Ivo destacou a descoberta de "novos fatos" sobre o envolvimento do Estado na "morte e tortura de seus opositores", durante a gestão de Geisel. Ivo ainda lembrou que documentos que as Forças Armadas no Brasil afirmaram terem sido destruídos “foram preservados por outra nação”.
“O senhor, assim como a nossa família, sabe o que foi o terror e a violência promovida pela ditadura brasileira. Uma nação precisa conhecer sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam”, diz Ivo Herzog a Aloysio Nunes na carta.
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